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terça-feira, 17 de abril de 2018

tinta permanente - João Pires - "Água cristalina de fundo azul"

Água cristalina de fundo azul e reflexos provocados pelas pequenas ondas.

Pequenas ondas originadas pelos teus movimentos suaves debaixo de água, por onde desliza um corpo elegante e longos cabelos negros.

E vens à tona da piscina de hotel e deparas com a zona alta da cidade, enquanto ainda respiras aceleradamente e de olhos bem abertos perante cenário tão belo.

E eu abro a janela e deparo com a imensa avenida debaixo de céu azul.

Encho o peito de felicidade por conhecer esta cidade e a música que baila nos meus ouvidos.

Passeias pela zona histórica numa manhã cheia de luz, desces até à margem do rio e contemplas as embarcações à vela ancoradas no cais na outra margem, com o teu vestido branco de seda esvoaçando lentamente ao ritmo da brisa.

E eu caminho com o sol baixo, desenhando uma silhueta negra projectada no chão polido de granito.

Subo agora da zona histórica em direcção à ponte cinzenta em ferro. Agora que estou debruçado sobre a ponte e aprecio a estupenda vista ao longo do rio, como eu gostaria de te conhecer, para partilhar a alegria que agora sinto.

E tu estás mesmo ali, e eu não te vejo. Os teus cabelos esvoaçam suavemente ao sabor do vento, largando um suave perfume que chega até mim.

Neste instante estou cá em cima, desfruto de uma imensa vista sobre o rio, até à foz. Os barquinhos em madeira, parecem tão pequeninos.

Agora que viajas de metro para cruzar a ponte sobre o rio, sorris docemente com o teu reflexo na janela. Vais piscando os olhos com o sol que brilha na tua pele.

E eu espero por ti cá fora, sem saber. Vou percorrer as ruas antigas da cidade, numa revelação constante de recantos e escadas estreitas, onde os telhados quase se beijam. Percorro caminhos no velho eléctrico amarelo-torrado e o céu azul já se enfeitou de nuvens brancas.

E tu sobes à zona alta da cidade, e avistas um mar vermelho de telhados com o rio ao fundo, onde passeiam barcos à vela, empurrados pelo vento, cada vez mais forte.

Eu continuo a subir as velhas escadas íngremes e estreitas da cidade, onde se escondem muitas histórias do passado.

E tu passeias mesmo ali ao lado, com o teu vestido branco de seda, esvoaçando em direcção ao mosteiro em granito. Deslumbrada, deslizas os dedos sobre os azulejos azuis e brancos que retratam cenas antigas.

Eu vou à varanda do edifício da música para apreciar o sol que ainda vai alto. Lá embaixo deslizam meninos em cima de pranchas com rodas velozes, numa alegre algazarra.

E num desencontro de corações, subo as escadas em alumínio e tu passeias no piso superior. Vais parar à varanda onde já estive por momentos. Sentes o meu perfume, enquanto aprecias a paisagem em céu azul sem nuvens.

Jardins, casas, palacetes, ruas antigas e nunca te vi. Museus, e a livraria onde folheias um livro e eu desço as antigas escadas vermelhas. Não te vi.

Enquanto saboreias um copo de vinho, dentro das caves, sonhas com paisagens deslumbrantes nas encostas do rio onde a uva ganha açúcar. E depois vens ao mercado tradicional onde aprecias o artesanato local e experimentas um par de óculos de sol. E o dia está a chegar ao fim. Que linda paisagem junto ao mar, agora que o sol desaparece na linha do horizonte. Um passeio de bicicleta no final do dia, junto ao mar de ondas de espuma branca.

Passaste por mim, como se já nos tivéssemos cruzado dezenas de vezes durante o dia. No mar, os surfistas ainda deslizam sobre as ondas batidas de crista alta.

E um concerto de final do dia no parque. À minha volta está um mar de gente. Tiro uma foto para mais tarde recordar este dia cheio. Depois de olhar para a foto com atenção, descubro uma cara sorridente que poderia ter partilhado comigo aquele dia.

Mais tarde, brindamos à felicidade num final de dia fantástico, onde o céu se divide em azul e tons de fogo.

E a noite chega depressa, passeias ao meu lado em avenidas de luz e reflexos no rio.

A noite enche-se de festa com pessoas animadas em todas as ruas. E danças comigo em alegres rodas naquela rua cheia de vida. E por fim chega o fogo-de-artifício a fechar com um beijo de paixão.

17-04-2018

João Pires

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Poema de Márcia Tonoli "Amor Virtual"

Amor virtual

É um amor surreal
Que se torna real
Que nos conquista
Em palavras a quilômetros
De distância
É um alguém especial
Que mexe com os sentimentos
Que adentra
Nosso coração
De um jeito arrebatador
Nos deixa ansiosos
Nos deixa encantados
Nos faz suspirar
Por algo que tocamos
Com a alma
Tocamos de um jeito suave
Mas verdadeiro...
Sentimos o respirar do ser
Amor.
Sentimos  tristeza
Em seu falar
Sentimos tudo
O que o outro sente.
Sentimos ciúmes desse amor.
Um amor que nasceu aqui
Nessas linhas virtuais
Que nos marcou para sempre.

Autoria :Marcia tonoli
Data:27/03/2018

domingo, 18 de fevereiro de 2018

tinta permanente - João Pires - "Carnaval de três dias"

Carnaval de três dias
Marchantes do disfarce
Só quero descer a avenida
Olhando apenas para ti
A marcha é a minha maior força
A força de tantos marchantes
O conforto e carinho de quem assiste
E o teu olhar provocador entre marchas
Alegria estampada na cara das pessoas
Como te explico
O que sinto por ti?
Sou apanhado de surpresa
Exuberância de cores e emoções
O Carnaval já passou
Mas a festa continua
As máscaras não caíram
E tudo a chuva levou
A festa da Primavera e da fertilidade
Que venham as grandes colheitas
Vamos louvar divindades
A divindade do amor e da amizade
Ergue a taça de vinho
Celebra a vida agora
Lança um sorriso
Abraça o teu semelhante sem demora
Adeus à carne que vem aí a Quaresma
Vamos celebrar os deuses da fertilidade
Dançar sem parar toda a noite
E desmaiar em lágrimas de felicidade
Vamos desfilar pelo resto do ano
Numa estrada sem fim
De marcha em marcha
Ofereço-te o perfume do alecrim
No teu olhar provocador
A festa de rua terminou
Outras virão que se tornarão públicas
Fala a voz de quem já amou
Numa noite de folias excêntricas
E tu que me dizes destas fantasias
Agora que o desfile terminou
Numa noite de alegrias sem fim
E que voltem as máscaras


14-02-2018

João Pires

domingo, 14 de janeiro de 2018

tinta permanente - João Pires - "Ano Novo"

Vi incêndios de paixão pela vida
Quero fazer uma saída à inglesa
Amar-te sem norte
Partir para longe, para a linha do horizonte



Quero ser o campeão de mim próprio
Aquele que combate em campo fechado para defender a causa
Sonho ser vitorioso de um mundo melhor
Acordar e voar num golpe de asa



Ser ganhador de uma vida nova
Acordar conquistador de novas palavras
Triunfante num céu azul
Escrevendo palavras novas



Entrar à campeão no mundo das emoções
Viver mil vidas lendo livros
Empoderar muitos corações
Conceder tudo de mim próprio



Investir todo o leitor de mil vidas
Dar autoridade às palavras
Conceder belezas às palavras
Palavras ouvidas depois de proferidas



E a geringonça que ainda mexe
Coisa desajeitada é calão
Não se humilhe vexe
Estas palavras são jargão



Sou humanista, sábio e cientista
Quero ser intelectual, filósofo e pensador
Viajo nas palavras do amor
Nos livros amarelos do alfarrabista



Qual condição humana
Que se alimenta de palavras e pensamentos
Sou ser humano
Que procura pensamentos e argumentos



Tal qual a microcelafia
Que padece de crânio pequeno
Também é preciso escrever muito para apurar a grafia
Para ser bonita de olhar sereno



10-01-2017

João Pires


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Joao Pires

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Livro AMAR EM BAGOS DOURO de João Pires


"Ele ouviu muita música na sua infância passada em Lisboa e deteve-se em Coimbra para estudar Direito. Durante a Queima das Fitas, conheceu alguém que o encantou. Ela estudava Enfermagem. Mudaram-se para a Invicta, apaixonaram-se pela cidade, pelo rio Douro, pelos cruzeiros, pela paisagem de cortar a respiração e nasceu uma história de amor”


  
     Título: "AMAR EM BAGOS DOURO"
     Autor: João Pires
     ISBN: 978-989-20-7226-5
     Edição: Set-2017
     Editor: Edição do autor
     Idioma: Português
     Dimensões: 147 x 228 x 24 mm
     Encadernação: Capa mole
     Páginas: 258
     Classificação Temática: Literatura > Romance

  

Livro
Romance
AMAR EM BAGOS DOURO

favoritus@favoritus.net




tinta permanente - João Pires - "Poema para Ano Novo"

Poema para Ano Novo
Para um bom final de ano  
Olhando para trás sem arrependimentos
Como se o passado fosse um manual de aprendizagem
Sem mais argumentos   

Olhar em frente com esperança
Como quem espreita pela janela do tempo
Sem esquecer das boas lembranças

Viver o dia de hoje com o nascer do sol  
Até ao momento em que o sol se oculta
Numa feliz harmonia de linha do horizonte
Acendendo uma vela que a vida exulta

Feliz Ano Novo é o que te desejo
De olhos abertos, com sonhos numa mão e desejos na outra
E vou desfilando os dias do ano num alegre cortejo

Mais um ano que se encerra, empurrando desgostos, desalentos e tristezas  
Mais uma vez é hora de reacender a chama da vida
Com um gesto, um sorriso ou uma palavra
Não restando uma única dúvida

É hora de agradecer por tudo que aconteceu neste ano único da vida  
É hora de repensar as atitudes, o modo de vida  
Reparar caminhos e mudar tudo aquilo que precisa ser mudado
Sem esquecer o ciclo da vida

O tempo é o bem mais valioso que existe, e é preciso aproveitá-lo
O tempo dos relógios não segura a vida
E cada ano que se passa é um ano que já não volta atrás

Olho em frente e abro os braços à vida
Caminho seguro e respiro fundo
Aqui e agora fecho os olhos numa profunda inspiração
Não deixarei os anos passarem em nuvens passageiras  

Aproveitarei as boas energias do fim do ano que agora finda
E o espírito de amor do Natal que ainda respira
É tempo de reconciliação comigo mesmo
E de um tempo novo que palavras feias não atira

Já me perdoei por todos os erros cometidos
Já me resignei dos caminhos sem passagem
Dos destinos com promessas ínvias

Construindo o futuro, hoje, seguindo as palavras da inspiração
Percorrendo o meu caminho, na felicidade, paz e amor
Como um comboio, parando um pouco em cada estação

A vida acontece todos os dias
No Ano Novo que se aproxima, é tempo de renovação
Dias melhores virão, de plenitude e preenchimento

O final do ano também serve para agradecer o dom da vida
O tempo dos relógios que não cessa
Quero viver sem qualquer promessa

O ano está a chegar ao fim
Olho para trás com sensação do caminho percorrido
O tempo dos relógios não diz a que horas deixará de funcionar
Quero viver em pleno e harmonia com o planeta terra

E todos aqueles que lutam por uma vida melhor
Merecem ser reconhecidos pelo seu trabalho  
A felicidade, sentimento especial, merece ser partilhada
Sentimento de bem-estar para ser vivido

Cada ano que passa deve ser celebrado  
Um novo ano que se aproxima e que é símbolo de recomeço
Uma nova oportunidade para melhorar
Para procurar pensamentos positivos
E para encontrar a felicidade

A mudança do ano também é tempo de viajar
Destinos longínquos com praias exóticas
Ou simplesmente viajar da minha janela
Embaciada pela humidade da chuva  

Destinos em busca da estrela da felicidade
Porque o tempo dos relógios segue em frente
Um lugar ao sol debaixo do coqueiro

Sentado frente à lareira  
Com um livro debaixo dos olhos
Para onde a imaginação me leva
Para um lugar ao sol

Acordar para a realidade depois da crise
Encontrei pessoas mais significativas
Este é momento para reflexão e balanço de vida

26-12-2017
João Pires

autor do romance AMAR EM BAGOS DOURO

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