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quinta-feira, 5 de maio de 2011

OS VERDADEIROS FACTOS DA CAMPANHA

OS VERDADEIROS FACTOS DA CAMPANHA
 
Nos últimos dias, a "campanha" eleitoral tem sido constituida por um rol de "factos" que só servem para distrair os(as) portugueses(as) daquilo que realmente é essencial.
E o que é essencial são os factos.
E os factos são indesmentíveis.
Não há argumentos que resistam aos arrasadores factos que este governos nos lega.
E para quem não sabe, e como demonstro no meu novo livro, os factos que realmente interessam são os seguintes:
 
1) Na última década, Portugal teve o pior crescimento económico dos últimos 90 anos
 
2) Temos a pior dívida pública (em % do PIB) dos últimos 160 anos. A dívida pública este ano vai rondar os 100% do PIB
 
3) Esta dívida pública histórica não inclui as dívidas das empresas públicas (mais 25% do PIB nacional)
 
4) Esta dívida pública sem precedentes não inclui os 60 mil milhões de euros das PPPs (35% do PIB adicionais), que foram utilizadas pelos nosso governantes para fazer obra (auto-estradas, hospitais, etc.) enquanto se adiava o seu pagamento para os próximos governos e as gerações futuras. As escolas também foram construídas a crédito.
 
5) Temos a pior taxa de desemprego dos últimos 90 anos (desde que há registos). Em 2005, a taxa de desemprego era de 6,6%. Em 2011, a taxa de desemprego chegou aos 11,1% e continua a aumentar.
 
6) Temos 620 mil desempregados, dos quais mais de 300 mil estão desempregados há mais de 12 meses
 
7) Temos a maior dívida externa dos últimos 120 anos.
 
8) A nossa dívida externa bruta é quase 8 vezes maior do que as nossas exportações
 
9) Estamos no top 10 dos países mais endividados do mundo em praticamente todos os indicadores possíveis
 
10) A nossa dívida externa bruta em 1995 era inferior a 40% do PIB. Hoje é de 230% do PIB
 
11) A nossa dívida externa líquida em 1995 era de 10% do PIB. Hoje é de quase 110% do PIB
 
12) As dívidas das famílias são cerca de 100% do PIB e 135% do rendimento disponível
 
13) As dívidas das empresas são equivalente a 150% do PIB
 
14) Cerca de 50% de todo endividamento nacional deve-se, directa ou indirectamente, ao nosso Estado
 
15) Temos a segunda maior vaga de emigração dos últimos 160 anos
 
16) Temos a segunda maior fuga de cérebros de toda a OCDE
 
17) Temos a pior taxa de poupança dos últimos 50 anos
 
18) Nos últimos 10 anos, tivemos défices da balança corrente que rondaram entre os 8% e os 10% do PIB
 
19) Há 1,6 milhões de casos pendentes nos tribunais civis. Em 1995, havia 630 mil. Portugal é ainda um dos países que mais gasta com os tribunais por habitante na Europa
 
20) Temos a terceira pior taxa de abandono escolar de toda a OCDE (só melhor do que o México e a Turquia)
 
21) Temos um Estado desproporcionado para o nosso país, um Estado cujo peso já ultrapassa os 50% do PIB
 
22) As entidades e organismos públicos contam-se aos milhares. Há 349 Institutos Públicos, 87 Direcções Regionais, 68 Direcções-Gerais, 25 Estruturas de Missões, 100 Estruturas Atípicas, 10 Entidades Administrativas Independentes, 2 Forças de Segurança, 8 entidades e sub-entidades das Forças Armadas, 3 Entidades Empresariais regionais, 6 Gabinetes, 1 Gabinete do Primeiro Ministro, 16 Gabinetes de Ministros, 38 Gabinetes de Secretários de Estado, 15 Gabinetes dos Secretários Regionais, 2 Gabinetes do Presidente Regional, 2 Gabinetes da Vice-Presidência dos Governos Regionais, 18 Governos Civis, 2 Áreas Metropolitanas, 9 Inspecções Regionais, 16 Inspecções-Gerais, 31 Órgãos Consultivos, 350 Órgãos Independentes (tribunais e afins), 17 Secretarias-Gerais, 17 Serviços de Apoio, 2 Gabinetes dos Representantes da República nas regiões autónomas, e ainda 308 Câmaras Municipais, 4260 Juntas de Freguesias. Há ainda as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional, e as Comunidades Inter-Municipais.
 
22) Nos últimos anos, nada foi feito para cortar neste Estado omnipresente e despesista, embora já se cortaram salários, já se subiram impostos, já se reduziram pensões e já se impuseram vários pacotes de austeridade aos portugueses. O Estado tem ficado imune à austeridade
 
Isto não é política. São factos. Factos que andámos a negar durante anos até chegarmos a esta lamentável situação. Ora, se tomarmos em linha de conta estes factos, interessa perguntar: como é que foi possível chegar a esta situação? O que é que aconteceu entre 1995 e 2011 para termos passado termos de "bom aluno" da UE a um exemplo que toda a gente quer evitar? O que é que ocorreu entre 1995 e 2011 para termos transformado tanto o nosso país? Quem conduziu o país quase à insolvência? Quem nada fez para contrariar o excessivo endividamento do país? Quem contribuiu de sobremaneira para o mesmo endividamento com obras públicas de rentabilidade muito duvidosa? Quem fomentou o endividamento com um despesismo atroz? Quem tentou (e tenta) encobrir a triste realidade económica do país com manobras de propaganda e com manipulações de factos? As respostas a questas questões são fáceis de dar, ou, pelo menos, deviam ser. Só não vê quem não quer mesmo ver.
A verdade é que estes factos são obviamente arrasadores e indesmentíveis. Factos irrefutáveis. Factos que, por isso, deviam ser repetidos até à exaustão até que todos nós nos consciencializássemos da gravidade da situação actual.Estes é que deviam ser os verdadeiros factos da campanha eleitoral. As distracções dos últimos dias só servem para desviar as atenções daquilo que é realmente importante.
 
Fonte: http://desmitos.blogspot.com/2011/04/os-verdadeiros-factos-da-campanha.html
 
Comentário de um leitor
O problema estrutural de Portugal vem muito de trás, não é dos últimos anos. De 2000 para cá o endividamento aumentou exponencialmente devido sobretudo o acesso ao crédito a juros reduzidos. E em 2008 a conjuntura externa agravou ainda mais o nosso problema estrutural interno. Mas a verdade é que o mal começou a ser feito precisamente em 1974, quando do golpe militar de 25/4.
 
Um dos mentores do golpe militar do 25 Abril e ex-activista do terrorismo das FP25, Otelo S. de Carvalho diz que um dos objectivos do golpe era "a criação de um sistema que elevasse rapidamente o nível social, económico e cultural de todo um povo que viveu 48 anos debaixo de uma ditadura". Uma afirmação destas mostra um total desconhecimento económico e social. Como poderia um Estado pobre ficar rico da noite para o dia? No Estado Novo, todo o avanço foi feito de forma gradual, numa perspectiva de poupança, mas sempre a melhorar a longo-prazo.
 
Ainda ontem (e hoje também) ouvi na TSF opiniões ingénuas de sociólogos afirmarem que Portugal seria capaz de suportar a crise sem "bailout", e que era uma "injustiça" o que os agentes financeiros estavam a fazer com Portugal, dizendo ainda que as estruturas não estavam assim tão mal quanto o que o FMI e outras entidades queriam fazer parecer.
 
O sociólogo Boaventura Sousa Santos falou ainda há pouco na TSF, citando o norte-americano Robert Fishman sobre um artigo no New York Times dizendo que o Estado Português sofreu uma "pressão injusta dos mercados" que obrigou o País a ter de pedir ajuda de que não precisava". Isto é praticamente o mesmo que dizer-se que uma família falida por sobreendividamento, que durante anos recorreu ao crédito para ir para "Cancun" de férias e comprar carro novo, foi injustamente obrigada a pedir ajuda financeira à família por culpa do banco que lhe subiu os juros, porque, caso contrário, ela teria capacidade sozinha para suportar a "crise" e eventualmente continuar a endividar-se!
 
Injustiça?! Então, mas desde quando os agentes financeiros e credores têm obrigação de continuar a dar crédito e financiar um Estado sobreendividado (números redondos, Dívida Pública = 100% PIB e Dívida Externa Bruta = 230% PIB)?? Estes valores só têm par com os 1892, altura da nossa última bancarrota resultante dos tempos dos governos insensatos da Regeneração e do Fontismo, ou seja, pela altura da Monarquia Constitucional.
 
Desde quando um Estado com um crescimento de 0%, com tendência a recessão ainda antes do "bailout" (um estudo da Univ. Católica acusou recessão técnica já em Abril), em que o "deficit" atingiu os 10% no ano passado (tendo em conta o malabarismo do fundo de pensões da PT) e que vive com "deficit" há quatro décadas (o último ano de superavit foi 1970, considerando a despesa publica efectiva, ou 1952 se contarmos com os juros e amortizações) dá boas garantias a potenciais investidores? É de notar que o potencial de crescimento de Portugal (PIB Potencial) está praticamente ao nível dos da I República, pouco acima dos 0% quando comparados com os 6,5% do Estado Novo no princípio da guerra do ultramar português)! Alguém confia num Estado falido e ainda com PPPs para pagar na ordem dos 48 mil milhões durante os próximos 40 anos? Um Estado com um Governo perfeitamente descredibilizado!
 
Desde quando os mercados têm de depositar a sua confiança num Estado assim? Num Estado que gasta muito mais do que a riqueza que produz, em que a tendência é de produzir menos, actualmente com uma taxa de desemprego de 11% (números oficiais, ainda assim bastante aquém dos números reais e com forte tendência a crescer), com uma taxa de poupança mais baixa que há 50 anos atrás, com reservas de ouro de 40% apenas da quantidade total que existia no início da III República (adquiridas e conservadas em clima económico de poupança do Estado Novo).
 
O nosso problema tem 37 anos e é estrutural.
 
 
autor: Álvaro Santos Pereira
 
fonte:
http://desmitos.blogspot.com/2011/04/os-verdadeiros-factos-da-campanha.html
 
 

Com os cumprimentos
JPP